Política
Deputados do Amazonas abandonam pautas locais para marchar em ato político pró-Bolsonaro
Capitão Alberto Neto e Débora Menezes aderem a caminhada simbólica liderada por Nikolas Ferreira enquanto demandas do Amazonas seguem sem resposta.
Os deputados amazonenses Capitão Alberto Neto e Débora Menezes, ambos do Partido Liberal (PL), anunciaram adesão à caminhada organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), em um protesto político contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ato, iniciado em Paracatu (MG) com destino a Brasília, ocorre em meio a críticas sobre a priorização de agendas ideológicas em detrimento de pautas urgentes do Amazonas.
A mobilização, divulgada como simbólica e pacífica, prevê um percurso de aproximadamente 230 quilômetros ao longo da BR-040 e deve durar cerca de sete dias.
Para os parlamentares envolvidos, a caminhada representa um gesto de apoio político ao ex-presidente e um protesto contra decisões do Supremo Tribunal Federal relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023.
A deputada Débora Menezes afirmou que a participação no ato seria um “chamado”, enquanto Capitão Alberto Neto, conhecido por integrar o núcleo mais fiel do bolsonarismo na Câmara, confirmou presença ao lado de outros deputados aliados, como Gustavo Gayer (PL-GO).
A iniciativa, no entanto, tem sido vista por críticos como mais um movimento de autopromoção política e alinhamento ideológico, sem impacto prático para a população amazonense.
Especialistas e setores da sociedade civil apontam que, enquanto parlamentares se engajam em atos simbólicos fora do estado, problemas estruturais do Amazonas — como saúde, segurança pública, infraestrutura e questões ambientais — seguem à espera de soluções efetivas e atuação legislativa concreta.
Nikolas Ferreira afirma que a caminhada não tem caráter partidário formal, mas o discurso adotado e os apoiadores envolvidos reforçam o viés político do ato.
A chegada a Brasília está prevista para o próximo domingo, quando novos pronunciamentos devem ocorrer, ampliando a repercussão do protesto.
A mobilização reacende o debate sobre o papel de representantes eleitos e o equilíbrio entre manifestações ideológicas e a responsabilidade institucional de atender às demandas reais da população que os elegeu.
